quinta-feira, 19 de abril de 2012

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO - FEDERAÇÃO PAULISTA DE FUTEBOL

Hoje, irei publicar meu trabalho de conclusão de curso na Federação Paulista de Futebol. Creio que seja algo para grande reflexão.

Um grande abraço

Thyago Luques




FEDERAÇÃO PAULISTA DE FUTEBOL - FPF
CURSO MASTER EM GESTÃO DO FUTEBOL












“Entendendo o futebol fora das quatro linhas” Antes e depois!













Thyago Luiz Pompeo Luques










São Paulo
2011
LUQUES, Thyago Luiz Pompeo
Gestão do Futebol – FPF
Federação paulista de Futebol. Master em Gestão do Futebol, 2010.
Prof. André Megale – Orientador.
Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) – Federação Paulista de Futebol, Curso Master em Gestão de Futebol.
“Entendendo o futebol fora das quatro linhas” Antes e depois!






















“Entendendo o futebol fora das quatro linhas” Antes e depois!




Por
Thyago Luiz Pompeo Luques



Trabalho de Conclusão de Curso – TCC apresentado ao curso de Máster em Gestão de Futebol da Federação paulista de Futebol, como parte dos requisitos necessários para aprovação no mesmo.





Aprovado por:

Banca Examinadora:


____________________
1º membro da banca

____________________
2º membro da banca











São Paulo
2011














Agradecimentos

Quero agradecer a todos àqueles que sempre estiveram ao meu lado nos momentos de evolução profissional. Agradeço primeiramente ao Dr Luiz Felipe Santoro por mais uma vez me abrir portas para a realização de sonhos. Agradeço a todos os colegas de trabalho do Corinthians por me apoiarem e me incentivarem a cada dia. Agradeço aos colegas do curso por todas as semanas me ensinarem um pouco mais sobre o esporte e a amizade. Agradeço a minha família, mesmo que alguns estejam mais distantes, e principalmente a minha esposa Alessandra por estar sempre ao meu lado, sejam nos dias de “chuva” ou “sol”.








“Entendendo o futebol fora das quatro linhas” Antes e depois!

1 – Introdução
1.1 - A evolução do Futebol no Brasil e no Mundo
1.2 - A evolução do futebol moderno
1.3 - Surgem as federações nacionais
1.4 – Cronologia
1.5 – FIFA
1.6 - Surge a Copa do Mundo
1.7 - Futebol no Brasil

2 - O sonho da profissão

3 - Os meios de ingressar

4 - O atual trabalho feito na formação e as garantias aos atletas e aos clubes

5 - As normas que asseguram aos clubes e atletas a formação no meio do futebol

6 - A pressão na juventude e as renuncias de uma vida normal
6.1 - O papel do treinador e professor na sua formação social

7 - O mercado do esporte fora das quatro linhas.

8 - Conclusão






1 - Introdução


Estatisticamente mais de 99% das crianças e adolescentes que sonham em ser atletas de futebol não conseguem seus objetivos. Portanto se todos (professores, treinadores, agentes, pais etc.) que participam do processo de aprendizagem desses jovens não estiverem muito bem preparados, correm o risco de transformar os espaços de ensino do futebol em verdadeiras fábricas de frustração. Por outro lado, o futebol, se bem orientado, pode ser um poderosíssimo instrumento de educação e de construção da cidadania para 100% desses jovens.
Não podemos fugir da realidade e sonhar com o esporte simplesmente como ferramenta de construção social visto que uma grande parcela dos meninos que buscam espaços em clubes e escolinhas sonha com o objetivo maior, a profissionalização.
Paralelamente existem os pais que muitas vezes vêem um sonho frustrado no passado podendo ser resgatado no presente, por intermédio de seus filhos.
Como base em todo esse sonho, que não é matéria de estudo deste caso, mas não pode deixar de ser falada, são as condições sócio-econômicas da maioria dos meninos que buscam a prática do futebol como oportunidade de vida.
A partir dessa introdução começamos a entender a expressão “peneira do futebol”. Muitos sonham e poucos conseguem. A grande questão é como se trabalhar a cabeça de uma criança e de pais pouco informados para que o esporte, e no caso o futebol, poder ser uma porta de entrada para os estudos e formações acadêmicas que integrem o complexo do mundo esportivo.








1.1 - A evolução do Futebol no Brasil e no Mundo


O Futebol é um dos esportes mais populares no mundo. Evoluído e praticado em centenas de países, o esporte jogado com os pés desperta muito interesse em função de sua forma de disputa atraente. Embora não se tenha muita certeza sobre os primórdios do futebol, historiadores descobriram vestígios dos jogos de bola em várias culturas antigas. Estes jogos de bola ainda não eram o futebol, pois não havia a definição de regras como há hoje, porém demonstram o interesse do homem por este tipo de esporte desde os tempos antigos.
Antigos registros sobre o futebol dão conta de sua prática na China há mais de três mil anos. Havia dois ideogramas para definir o jogo, denominado de Tsu-Chu: um deles significava “chutar com o pé”, e o outro, “bola feita de couro que pode ser chutada para recreação se você tiver tempo para isso”. Esse esporte foi levado pelos chineses para o Japão há cerca de dois mil anos, recebendo o nome de kemari.
Recentemente, foram descobertos documentos relatando que por volta de 50 a.C. chineses e japoneses já realizavam disputadíssimas partidas de tsuchu/ kemari. Na América, apotecas e Mistecas, povos que habitaram a Mesoamérica aproximadamente 1000 a.C., deixaram registros pictográficos da prática de um esporte em que uma bola era impulsionada pelos pés, cabeça ou tronco, sendo proibida sua condução pelas mãos. Os Maias, desde os séculos III a IV d.C., também praticavam um jogo semelhante, no qual a bola deveria ser conduzida até ser lançada por uma espécie de arco incrustado numa das paredes dos cantos extremados do campo de jogo [1].
Os astecas conheciam um jogo semelhante, utilizado em ocasiões especiais entre os nobres, também como oferenda às divindades. Surgem outras vertentes e que deram a direção do futebol do séculos XX e XXI, o qual vivemos. Não podemos deixar de lembrar diversas culturas que se utilizaram do futebol para como recurso para avanças políticos, religiosos ou outras diversas formas de desenvolvimento social.Há histórias do futebol na Grécia, Roma, Idade Média, até chegarmos no futebol moderno.


1.2 - A evolução do futebol moderno

Por volta da metade do século XIX o futebol era praticado em todos os países do Velho Mundo. Na Inglaterra, entre 1828 e 1840 ocorreu à introdução de duas modalidades de jogo, o dribbling game e o football rugby, graças à crescente presença de alunos oriundos da nova classe social nascente – os filhos das burguesias industrial e comercial, nascidas com a Revolução Industrial.
A prática desportiva era estimulada pela direção das escolas, que aproveitavam o entusiasmo dos jovens para administrar-lhes noções de obediência à voz de comando do líder da turma para cumprir a tática proposta pelo coach e para desenvolver os talentos individuais, e trabalhando em conjunto, visando a conquistar espaços e vencer o adversário, ao mesmo tempo que dava uma orientação ordenada à necessidade juvenil de gastar energia. Foram retomados alguns dos princípios do tsu-chu, do episkyros, do harpastum, embasando-os na filosofia do nascente capitalismo industrial, pois que não se
estava preparando soldados para a guerra, mas treinando os futuros empresários, engenheiros, profissionais qualificados, e mesmo militares que, coordenadamente, deveriam atuar na nova ordem econômica que se espalhava pelo mundo sob a direção dos ingleses.
A partir das instituições de ensino o dribbling game, agora batizado de football, e o rugby difundiram-se pelos espaços comunitários, pelos pátios das fábricas e dos quartéis, pelas cobertas dos navios. Uma inquestionável – ainda que indireta – participação da Revolução Industrial ao futebol deu-se por meio da introdução da “semana inglesa”, com o descanso aos sábados à tarde.
Milhares de jovens estudantes e trabalhadores em geral reuniam-se em torno da sede da igreja paroquial, do pub, ou nas praças e ruas de suas cidades para jogar futebol ou rugby. O futebol e o rugby tinham entre si a origem comum, o harpastum dos romanos, e o fato de que tanto um como outro terem por objetivo levar a bola até a cidadela adversária, representada pelas traves.
Entre as diferenças, destacava-se o fato de que no futebol a bola só poderia ser conduzida com os pés e deveria ser jogada entre as duas traves defendidas pela equipe adversária a fim de ser alcançado um gol ou ponto, enquanto que no rugby a bola devia ser conduzida com as mãos até a linha de fundo do adversário, para ser obtido o gol.
Entre 1846 e 1848, o professor J.C. Thring, da Cambridge University, colecionou as regras mais praticadas do “jogo da bola”, ordenando-as e adaptando-as para uso nessa instituição de ensino, criando, em 1848, as “The Cambridge Rules”, das quais não ficaram cópias, apenas referências.
Em 1862 na mesma Universidade de Cambridge, reuniram-se representantes das mais importantes escolas inglesas para criar uma codificação unificada específica para o futebol. Surgiram então as Ten Rules to the Simplest Game (As Dez Regras do Mais Simples dos Jogos).
Um ano depois, em dezembro de 1863, são publicadas as Laws of the London Football Association, iniciando-se a etapa moderna da história do futebol.


1.3 - Surgem as federações nacionais

A exemplo do que haviam feito os exércitos gregos e romanos com o episkyros e o harpastum, os soldados ingleses difundiram o futebol pelos quatro cantos do mundo dominado, ou por dominar, militar e/ou economicamente pelo Império Britânico. Dessa empreitada participaram ativamente os marinheiros mercantes e os da Royal Nave, representantes dos grandes bancos ingleses que financiavam obras e empréstimos governamentais, os engenheiros responsáveis pelos projetos de minas, portos, ferrovias e rodovias, os artesãos e trabalhadores contratados para a execução de tais obras. É interessante notar que essa difusão ocorreu especialmente no período entre 1875 e 1925, exatamente os cinqüenta anos que, a partir do auge da Revolução Industrial, marcaram o domínio político-econômicomilitar- cultural do Império Britânico nos cinco continentes.
O futebol, muito provavelmente por representar a arte da guerra e, assim, estimular e até mesmo exacerbar o espírito guerreiro que cada ser humano traz escondido dentre de si, espalhou-se rapidamente e foram sendo criadas as associações responsáveis pela organização de campeonatos e torneios de clubes de uma mesma cidade, região ou país. Surgiram então as federações nacionais de futebol:

• 1863, na Inglaterra, a Football Association Limited, ou simplesmente FA;
• 1873, na Escócia;
• 1876, no País de Gales; e
• 1880, na Irlanda.

Essas quatro entidades fundaram, em 1886, a International Football Association Board, ou simplesmente International Board ou, ainda, IB, organismo encarregado de unificar as regras do jogo, permitindo, dessa forma, jogos entre equipes desses países. O surgimento do IB deu-se pela necessidade premente de unificar as regras utilizadas pelas equipes desses quatro países, a fim de que pudessem disputar partidas entre si. Cada país fundador indicava dois membros e as decisões para alterar as regras deveriam ser tomadas por, no mínimo, seis votos.
As regras adotadas foram as da The London Football Association Laws.


1.4 - Cronologia
Algumas das mais importantes datas do futebol:

• 1862 – surge a primeira codificação moderna das regras do jogo de futebol, em Cambridge, Inglaterra.
• 1863, 20 de outubro – é fundada, em Londres, a Football Association Limited, reunindo as associações inglesas que praticavam o jogo de futebol segundo aquelas regras nascidas em Cambridge.
• 1863, dezembro – surgem as The London Football Association Laws, aperfeiçoamento daquelas criadas em Cambridge.
• 1869 – introduzido o tiro de meta nas Regras do Jogo.
• 1870 – o número de jogadores de cada equipe foi limitado a onze.
• 1872 – acrescentado o tiro de canto, também chamado de córner ou escanteio.
• 1875 a 1880 – adotado o tiro livre; determinado que o lateral fosse cobrado com as mãos; exigida a colocação permanente do travessão; definida a duração da partida em 90 minutos, divididos em dois tempos de igual duração; formalizada a função do árbitro dentro do campo de jogo; pegar a bola com a mão ficou circunscrito ao goleiro.
• 1886 – criado, pelas Federações da Inglaterra, Escócia, Irlanda e País de Gales, a International Board, entidade a quem foi atribuída a propriedade das Regras do Jogo.
• 1891 – introduzido o tiro penal ou pênalti.
• 1904 – fundada em Paris a Fédération Internationale de Football Association (FIFA), por iniciativa da Federação Francesa, cujo presidente era Jules Rimet, e com a participação das Federações da Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha e Holanda.
• 1908 – A The Football Association Limited filia-se à FIFA.
• 1925 – ano de uma das mais notáveis alterações das regras, favorecendo a conquista do gol, pela amplitude dada à chamada lei do impedimento: havendo dois jogadores – e não mais três – entre o atacante e o gol adversário, ele tem condição legal de jogo. A importância da alteração pode ser destacada pelo fato de a partir dela ter sido criado o primeiro esquema tático do futebol, o WM.
• 1930, 13 de julho, Montevidéu, Uruguai – primeira partida da primeira Copa do Mundo de Futebol, entre França e México (França 4 x 1 México).
• 1990 – foi determinado que o árbitro examinasse as chuteiras dos jogadores antes de se iniciar a partida, como forma de prevenir/coibir o uso de material que causasse dano aos demais jogadores.


1.5 - FIFA

Em maio de 1904, em Paris, foi criada a Fédération Internationale de Football Association, com a participação direta da França, Bélgica, Holanda, Suíça, Dinamarca, Espanha e Suécia. A FIFA, inicialmente, só admitia associações nacionais praticantes de futebol amador, motivo pelo qual a Inglaterra veio a ser filiada, em 1905, por intermédio da (English) Amateur Football Association. Com a adoção formal do futebol profissional nos países continentais, a FA substituiu a associação amadora em 1908.
Por pressão inglesa, a Escócia e o País de Gales foram admitidos na FIFA (1910 e 1911) que, até então, só aceitava uma representação nacional (à época, Inglaterra, Irlanda, Escócia e País de Gales formavam o Reino Unido, com governo único). A predominância britânica no football association permanece até hoje, embora a Inglaterra desde há muito tenha deixado de ser uma potência a qualquer título. Mesmo tendo sido de países europeus continentais a iniciativa de formar a FIFA, são os quatro países do antigo Reino Unido quem, desde o início, controla a International Football Association Board – IFAB –, que é a dona das Regras do Jogo, sendo a FIFA o organismo encarregado de as difundir e zelar
pelo seu correto cumprimento.
A FIFA tem 206 associações nacionais filiadas, e para filiar-se a associação nacional deve comprometer-se a respeitar e fazer respeitar fielmente as Regras do Jogo e as normas gerais emanadas da entidade internacional.


1.6 - Surge a Copa do Mundo

Por ocasião dos Jogos Olímpicos de 1924, os dirigentes da FIFA constataram que, a exemplo de competições anteriores, os eventos que mais atraíam público eram as partidas de futebol. O Comitê Olímpico Internacional não permitia a participação de atletas profissionais, o que prejudicava enormemente a formação de selecionados com os melhores jogadores de cada país, já que o profissionalismo era largamente praticado em todo o mundo.
Aprovou-se então a proposta de realização de uma competição independente do COI, envolvendo unicamente o futebol praticado por amadores ou profissionais e da qual poderiam participar seleções formadas pelas associações nacionais filiadas à FIFA.
Espanha, Suécia, Itália, Holanda e Uruguai candidataram-se a sediar o primeiro evento, em 1930. Jules Rimet, presidente da FIFA, contando com o apoio decisivo do Rei Carol, da Romênia, articulou para que o Uruguai viesse a ser escolhido, em homenagem ao centenário de sua Independência. Com os votos majoritários das associações dos países sul-americanos, que compareceram em massa ao Congresso de Amsterdã, por ocasião da Olimpíada de 1928, e mais o da Romênia, da Bélgica e da França, a primeira World Cup foi disputada em julho de 1930 no Uruguai. Na mesma ocasião, o Congresso definiu que a competição seria disputada a cada quatro anos e que o país vencedor receberia uma taça que ficaria provisoriamente em seu poder e, se a conquistasse por três vezes, ficaria com ela em definitivo. Em homenagem ao presidente da FIFA, Jules Rimet, a taça levou o seu nome, tendo sido criada pelo escultor francês Abel Lefleur.
Representava a deusa grega da vitória segurando uma copa octogonal sobre a cabeça enquanto seus pés apoiavam-se num pedestal de pedras semipreciosas.
O Uruguai, além de ter sido primeiro país a sediar uma Copa do Mundo, foi também o primeiro a ter a guarda provisória do troféu. Seguiu-se-lhe a Itália, vencedora em 1934 e em 1938. Na década de 40 não houve disputa da Copa do Mundo em razão da II Guerra. Em 1950 a competição é retomada, com o Uruguai derrotando o Brasil em pleno Maracanã. Mas a Copa do Mundo acabou vindo definitivamente para o Brasil graças às conquistas de 1958, 1962 e 1970.
A FIFA instituiu, a partir de 1974, um novo troféu chamado simplesmente de World Cup, criado pelo escultor italiano Silvio Gazzaniga, e que é assim descrito: “Linhas surgem da base, subindo em espirais e estendendo-se para receber o mundo. Da marcante dinâmica do corpo da escultura surge a figura de dois atletas no extasiante momento da vitória”. Diferentemente da Copa Jules Rimet, o novo troféu pertence à FIFA, e cada campeão mundial, desde então, recebe uma réplica do original, folheada a ouro: Alemanha, 74 e 90; Argentina, 78 e 86; Itália, 82; Brasil, 94; França, 98; e Brasil, 2002. O Brasil é o único país que participou de todas as 17 edições da Copa do Mundo.


1.7 - Futebol no Brasil

Nascido no bairro paulistano do Brás, Charles Miller viajou para Inglaterra aos nove anos de idade para estudar. Lá tomou contato com o futebol e, ao retornar ao Brasil em 1894, trouxe na bagagem a primeira bola de futebol e um conjunto de regras.
Podemos considerar Charles Miller como sendo o precursor do futebol no Brasil.O primeiro jogo de futebol no Brasil foi realizados em 15 de abril de 1895 entre funcionários de empresas inglesas que atuavam em São Paulo. Os funcionários também eram de origem inglesa. Este jogo foi entre funcionários da Companhia de gás X Companhia Ferroviária São Paulo Railway. O primeiro time a se formar no Brasil foi o São Paulo Athletic, fundado no dia 13 de maio de 1888, na Capital Paulista.No início, o futebol era praticado apenas por pessoas da elite, sendo vedada a participação de negros em times de futebol.
A Confederação Brasileira de Futebol foi fundada em 1914, tendo se afiliado à FIFA em 1923.
O Brasil é o único país a ter participado de todas as Copas do Mundo, sendo igualmente o único a ter conquistado o título de Campeão Mundial cinco vezes.
Atualmente o Brasil é referência no esporte jogado com os pés e grande celeiro de craques. Milhares de atletas profissionais atuam nos mercados estrangeiros, em especial o Europeu. E fora das quatro linhas? Como podemos avaliar a administração, marketing, investimento entre outros diversos pilares de sustentação?


2 - O sonho da profissão

O futebol no Brasil chegou por intermédio de um jovem Brasileiro, Charles Miller, no fim do século dezenove. Em 1884 ele foi mandado para uma escola pública em Hampshire, na Inglaterra, onde aprendeu a jogar futebol, rugby e críquete. Enquanto estava nesta escola, jogou por eles contra os times Corinthian SFC e o de St. Mary.
Ele retornou ao Brasil em 18 de fevereiro de 1894 para trabalhar na São Paulo Railway (posteriormente Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (EFSJ), como seu pai, tornando-se também correspondente da Coroa Britânica e vice-cônsul inglês em 1904. Trouxe na bagagem duas bolas usadas, um par de chuteiras, um livro com as regras do futebol, uma bomba de encher bolas e uniformes usados.
O pontapé na bola do futebol Brasileiro estava dado e os sonhos começavam. No principio não havia profissionalismo, somente a prática esportiva como diversão. Ninguém recebia nada para jogar e somente a elite da população era permitida. Os negros eram boicotados, não podendo praticá-lo, por mais que suas habilidade ultrapassassem o limite do preconceito. Bangu e Vasco da Gama, clubes do Rio de Janeiro, foram os primeiros a permitir a inclusão da raça negra no esporte. Era notória que a habilidade e conseqüente qualidade desses atletas iriam engrandecer muito o desenvolvimento do desporto.  
A Copa do Mundo de 1950, com a construção do Maracanã, impulsionou muito o futebol no Brasil e conquistas começaram a surgir. Mesmo com a derrota para o Uruguai na Copa do Mundo no Brasil, a seleção “canarinho” era muito respeitada e possuía muita qualidade. Dessa forma buscou os títulos de 1958, 1962 e 1970. Quatro copas e três conquistas, o futebol tornava-se muito mais que um sonho, era realidade. Economicamente o desenvolvimento caminhava a passos muito curtos. Salários baixos, pouco investimento, falta de apoios faziam parte desse universo. Craques como Garrincha, Nilton Santos e Didi nunca chegaram perto de ganhar milhares de dólares. A economia desportiva era muito enxuta e não proporcionava luxos e segurança financeira, mas apesar desse cenário, alguns fatos deixavam uma esperança aos praticantes. Fama e status eles já possuíam.
Hoje em dia quando falamos em Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Pelé, Zico, Roberto Carlos, Romário, Bebeto, não estamos apenas falando de jogadores de futebol consagrados, campeões mundiais, mas estamos falando de celebridades, homens que se tornaram milionários devido a salários altíssimos, transações grandiosas, com patrocinadores usando suas imagens e alavancando negócios. O futebol mostrado na televisão é esse, o futebol que “manipula” os sonhos de qualquer homem, que é real, mas é ilusório, que encanta um adulto e cria sonhos na cabeça de uma criança.
Num país de dimensões continentais, a TV alcança praticamente todos os municípios (99,84%) e está presente em 91,4% dos domicílios. A influência sobre a constituição das identidades das crianças é, portanto, notória.
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2005, divulgados este ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a televisão está presente em 91,4% dos domicílios. O rádio, em 88%. O computador, em 18,6%. O computador com acesso à internet em apenas 13,7% dos domicílios pesquisado.
Atualmente ouvem-se muitos meninos nas salas de aula, nas ruas, nas escolinhas dizendo vou ser um jogador profissional. O fato é que entre o passado recente e os dias atuais o "quero ser" foi substituído pelo "vou ser". Muitos diriam que esse poder da autoconfiança poderá ajudar esse garoto a conquistar os seus sonhos, mas a preocupação é a ignorância quase total em relação aos obstáculos e dificuldades que essa "vontade" ou decisão representa.
A transformação do esporte mais popular do planeta em "vitrine constante" e, é verdade, globalizado, no sentido de amplitude e de acesso rápido, vem fazendo que os garotos "entendam" o futebol como uma atividade naturalmente fácil de ser exercida, e ainda mais fácil de ser alcançada.
A internet e a televisão têm grande parcela de responsabilidade nisso. Com o simples manuseio do mouse ou do controle remoto, a criança pode ter a informação que desejar a respeito dos ídolos e dos grandes clubes do mundo, além de assistir aos campeonatos europeus e de muitos outros países. A enorme exposição dos jogadores bem-sucedidos na mídia, sempre ligados à fama, à conquista das mulheres mais bonitas e fortunas de dinheiro tem tornado esse sonho distante da realidade brasileira, mas, paradoxalmente, "parte" dessa mesma realidade. É como se as crianças entendessem que os maiores astros do futebol representam o verdadeiro cenário do futebol profissional. Não podemos deixar de lado o fato que muitos desses garotos fazem parte de uma classe social nível C, D e E, com baixíssimos níveis de instrução, saúde e poder econômico.
Com base em informações do ano de 2005, a pirâmide salarial do futebol brasileiro mostra que 76% de todos os jogadores profissionais atuando no país ganham até dois salários mínimos (cerca de R$ 700,00) mensais, 21% faturam entre dois e 20 salários mínimos, e apenas 3% ganham acima de 20 salários mínimos.
De fato, os números nos mapeiam e orientam para um novo processo de inclusão e orientação no futebol Brasileiro. Por meio deles, há a necessidade de se mostrar que o sonho não deve ser deixado de lado, mas que para atingi-lo será necessário enfrentar inúmeros obstáculos e renunciar em alguns momentos situações e desejos de um trabalhador comum.
Porém o sonho nem sempre vem com a bola nos pés e pode ser direcionado para outros setores de necessidades no desenvolvimento do esporte. Vale lembrar que o futebol evoluiu, profissionalizou e fora das quatro linhas, para a bola rolar, existe um universo desconhecido da maioria dos que amam o futebol e deverá ser apresentado aos pequenos atletas que poderão ter o sonho interrompido.



3 - Os meios de ingressar

O futebol é o esporte mais popular do mundo e sua prática não exige mais que uma bola e alguns jogadores com disposição.
Crianças até idosos podem utilizar do esporte como prática de uma atividade física ou lazer, porém quando o objetivo é seguir a carreira alguns meios devem ser encontrados pelos “atletas”.
A forma mais conhecida são as famosas peneiras realizadas pelos clubes brasileiros. Preenchimento de uma ficha, data marcada e milhares de meninos na corrida em busca dos seus sonhos.
Geralmente não se conhece os parceiros e nem os adversários. Não existe amizade, são alguns minutos e toda a sua vontade e qualidade deverá ser demonstrada.
No ano de 2010, passaram pelas peneiras do Sport Club Corinthians Paulista, aproximadamente 12.000 meninos, todos em busca de um objetivo, tornarem-se profissional. Além dos números do clube Paulista, outros clubes grandes possuem suas “peneiras” e a estimativa de garotos que passam entre os doze maiores clubes do Brasil, agregando potências de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, chegamos a um número próximo de cento e cinqüenta mil meninos avaliados por ano.
Uma outra forma que o mercado apresentou na última década são as escolinhas de futebol com as bandeiras dos clubes. O trabalho exercido pelas escolas visa o relacionamento, amadurecimento e aprimoramento da técnica que o menino possui. “Peneiras” exclusivas são realizadas pelos clubes e podemos considerar uma porta de entrada um pouco mais curta.
Campeonatos amadores muitas vezes são vistos por olheiros de clubes e essa pode ser considerada mais uma forma de ingressar no esporte, porém o que habilita um menino a ingressar no futebol é a sua qualidade, o seu “don”, algo que muitas vezes faz parte de uma característica qualitativa o qual não se aprende e sim o possui.
Também são realizadas atualmente clínicas de futebol e torneios “privados” com o objetivo de captar novos talentos. Esses geralmente possuem custos aos garotos e exigem investimentos dos pais ou responsáveis.
As portas devem ser apresentadas, os meios devem ser conhecidos e além disso os pais e atletas devem ter conhecimento sobre a enorme dificuldade do ingresso ao esporte de alto rendimento.

4 - O atual trabalho feito na formação e as garantias aos atletas e aos clubes

A formação nas categorias de base dos clubes de futebol a cada dia vem evoluindo. Jovens revelações são vistas como fontes de receita e cada vez mais são trabalhadas como pérolas.
Grandes centros de treinamentos são desenvolvidos para dar qualidade e conforto aos jovens talentos.
Como exemplos de qualidade são os centros de treinamento de Cotia, do São Paulo Futebol Clube e do Desportivo Brasil em Porto Feliz.
Além da qualidade dos centros de treinamentos as “grandes” camisas chamam muito a atenção dos meninos que sonham em ser jogadores de futebol famosos.
Apesar de todo o sonho e glamour que a profissão reserva a uma pequena parcela dos possíveis atletas, a maior parte dos adolescentes jogadores de futebol das categorias de base de equipes brasileiras não se tornará atleta profissional, e isso não é apenas por falta de potencial, mas porque o esporte de alto rendimento tem pouco espaço para tantos praticantes. Inclusive por isso, mas não só, o esporte de competição deve possibilitar o desenvolvimento tanto das características específicas da modalidade, como também de características necessárias para a convivência desse jogador quando ele precisar parar de jogar futebol.
Nesse sentido, o ex-governador José Serra sancionou a Lei no. 13.748, de 08 de outubro de 2009, que obriga os clubes de futebol do Estado de São Paulo a assegurar que todos os seus jogadores menores de 18 anos estejam matriculados em instituições públicas ou privadas de ensino básico. Os comprovantes de matrícula e frequência escolar deverão ser entregues à Educação e à Comissão de Educação da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.
Por um lado é triste saber que precisamos de mais uma lei para assegurar o direito previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Por outro lado, é importante termos o governo assegurando esses direitos, mesmo que seja por meio de punição, pois os clubes que não cumprirem a norma receberão multas de R$3.962,50 por jogador e, em caso de reincidência, ficarão impedidos de participar de jogos e campeonatos oficiais organizados pela Federação Paulista de Futebol (FPF).
Para quem trabalha com atletas, a importância dessa lei é maior ainda, pois o atleta que além de jogar também estuda, apesar do cansaço que isso representa para o mesmo no dia a dia, tem outro ambiente de relacionamento, tem contato com outros conhecimentos e, consequentemente, desenvolve mais sua capacidade cognitiva e emocional por conta das diferentes situações as quais vivencia.
Um atleta inteligente é o que tanto os técnicos quanto as torcidas mais querem ter em suas equipes, porém esse tipo de atleta não se define apenas por um atleta técnico e taticamente muito bom, mas, além disso, significa um atleta capaz de resolver problemas em todas as esferas em que eles ocorrem. E por isso as diferentes dimensões que fazem parte da formação do ser humano – como as dimensões física, técnica, tática, social e emocional - são fundamentais nessa formação, tanto para bater um pênalti, como para dar uma entrevista, por exemplo, e quanto mais situações diversificadas vivenciam, mais as desenvolvem.
Por conta de uma formação diversificada, além de um trabalho também diversificado em campo, com uma equipe interdisciplinar, é fundamental que o atleta vivencie diferentes situações, que tenha mais de uma opção de carreira – e para isto a educação formal é fundamental. Com isso, a formação desses jovens atletas não se restringirá apenas ao domínio do esporte em si como um fim, mas se ampliará abrangendo outras dimensões contando com a participação de outros profissionais - como os professores e outros profissionais das escolas – e com a inserção ou manutenção deste jovem num ambiente fundamental para sua vida social.
Conhecimento sempre tem espaço na vida de qualquer pessoa, seja para aprender a jogar futebol, seja para negociar um bom contrato ou para obter um emprego em outro contexto.
Tomando-se por base a premissa do desenvolvimento intelectual do jogador para desenvolvimentos em outras esferas profissionais que irei mostrar os diversos meios de se ingressar no mercado esportivo, tendo como base o sonho de ser um jogador, que em algum momento viu o sonho interrompido.[2]


5 - As normas que asseguram aos clubes e atletas a formação no meio do futebol

No contexto esportivo é imprescindível identificar as decisões que devem ser tomadas, com foco naquelas que são prioridade e as outras que são secundárias, quais as que têm maior influência na estrutura organizacional e as que possuem apenas relevância acessória.
Nas organizações esportivas e, falando especificamente do futebol, se o clube opera suas atividades em prejuízo, gastando mais do que arrecada, estará incorrendo em irresponsabilidade pois gerará um ciclo vicioso , não tendo capacidade de pagamento adequado para fornecedores, atletas, funcionários e demais envolvidos e que, consequentemente, se converterá em uma sequência de prejuízos em pequenas escalas.
Os clubes formadores de novos atletas necessitam ter total noção e alinhamento dos departamentos que integram a sua base sobre as questões jurídicas e financeiras.
Alguns pontos devem ser analisados com precisão pois além da questão da formação social, o clube visa integralmente no retorno desportivo sobre aquilo que está investindo e também no retorno financeiro sobre esse investimento, e no caso falamos de crianças.
A Lei Pelé, nº 10.672, de 2003, detalha todos os pontos sobre a formação dos atletas, esses que são de proteção aos clubes e também que geram benefícios aos atletas.
§ 3o A entidade de prática desportiva formadora detentora do primeiro contrato de trabalho com o atleta por ela profissionalizado terá o direito de preferência para a primeira renovação deste contrato, cujo prazo não poderá ser superior a dois anos.
(Redação dada pela Lei nº 10.672, de 2003)
§ 4o O atleta não profissional em formação, maior de quatorze e menor de vinte anos de idade, poderá receber auxílio financeiro da entidade de prática desportiva formadora, sob a forma de bolsa de aprendizagem livremente pactuada mediante contrato formal, sem que seja gerado vínculo empregatício entre as partes. (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)
§ 5o É assegurado o direito ao ressarcimento dos custos de formação de atleta não profissional menor de vinte anos de idade à entidade de prática de desporto formadora sempre que, sem a expressa anuência dessa, aquele participar de competição desportiva representando outra entidade de prática desportiva. (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)
§ 6o Os custos de formação serão ressarcidos pela entidade de prática desportiva usufruidora de atleta por ela não formado pelos seguintes valores:
(Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)
I - quinze vezes o valor anual da bolsa de aprendizagem comprovadamente paga na hipótese de o atleta não profissional ser maior de dezesseis e menor de dezessete anos de idade; (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)
II - vinte vezes o valor anual da bolsa de aprendizagem comprovadamente paga na hipótese de o atleta não profissional ser maior de dezessete e menor de dezoito anos de idade; (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)
III - vinte e cinco vezes o valor anual da bolsa de aprendizagem comprovadamente paga na hipótese de o atleta não profissional ser maior de dezoito e menor de dezenove anos de idade; (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)
IV - trinta vezes o valor anual da bolsa de aprendizagem comprovadamente paga na hipótese de o atleta não profissional ser maior de dezenove e menor de vinte anos de idade. (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)

§ 7o A entidade de prática desportiva formadora para fazer jus ao ressarcimento previsto neste artigo deverá preencher os seguintes requisitos: (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)
I - cumprir a exigência constante do § 2o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)
II - comprovar que efetivamente utilizou o atleta em formação em competições oficiais não profissionais; (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)
III - propiciar assistência médica, odontológica e psicológica, bem como contratação de seguro de vida e ajuda de custo para transporte; (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)
IV - manter instalações desportivas adequadas, sobretudo em matéria de alimentação, higiene, segurança e salubridade, além de corpo de profissionais especializados em formação técnico-desportiva; (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)
V - ajustar o tempo destinado à formação dos atletas aos horários do currículo escolar ou de curso profissionalizante, exigindo o satisfatório aproveitamento escolar. (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)

A Lei existe para proteção dos dois elos do negócio futebol, àquele que precisa da mão de obra e também àquele que deseja o ingresso nesse meio de trabalho.
De fato a “imaturidade” do processo faz com que muitas crianças entrem nesse mercado e somente possuem ciência de onde entraram após a chegada da idade adulta.

Antes da chegada ao desconhecido alguns amparos da Lei tentam minimizar a renúncia da vida “normal” pelo atleta.

Um dos direitos é a convivência familiar e comunitária: a questão dos alojamentos.

Os alojamentos deverão ser adequados à condição peculiar do adolescente em desenvolvimento, sobretudo em matéria de alimentação, higiene, segurança, salubridade, etc. (Lei Pelé, art. 29, IV).
    
Proposições mínimas

 A) para os atletas cujas famílias residam em localidade diversa do local de treinamento, seria, em princípio, admitida a possibilidade de alojamento, desde que o clube assegure e assuma os custos de visitas regulares do adolescente à sua família. Vedação de hospedagem em repúblicas, pensões e similares. Autorização prévia dos pais ou responsáveis legais. Somente após os quatorze anos de idade.

  B) O alojamento do atleta deve ser encarado como exceção e não regra geral. Assim, em princípio, os atletas que residem nas localidades em que treinam não poderiam ser alojados pelos clubes, pois tal conduta implicaria no sacrifício, injustificado, do direito à convivência familiar e comunitária.


6 - A pressão na juventude e as renuncias de uma vida normal

O grande crescimento e valorização do esporte mundial nas últimas décadas proporcionaram um quadro favorável ao surgimento de equipes de treinamento de crianças nas mais diversas modalidades esportivas.
Atualmente, especificamente no futebol , são realizados campeonatos com a participação de crianças na faixa etária dos 6 aos 17 anos, chamados de campeonatos de categorias menores.
Acredita-se que estes campeonatos são importantes na formação de atletas, porém existem muitas críticas a respeito da grande pressão e cobrança por vitórias a que estas crianças estão sujeitas. O fato é que tanto aqueles que defendem a participação em competições estruturadas e organizadas, quanto àqueles que a combatem, o fazem sem a devida fundamentação, pois a escassez de pesquisas no futebol dificulta o real entendimento dos aspectos positivos e negativos envolvidos na competição infantil desta modalidade.
Durante o processo de formação esportiva, o desempenho do jovem em eventos competitivos é considerado por muitos como o principal fator relacionado ao sucesso futuro. Este desempenho caracteriza-se pela combinação de fatores multivariados e interdependentes dos quais destacam-se as capacidades física, técnica, tática e psicológica. São multivariados porque diferentes combinações destas capacidades podem originar um desempenho esportivo adequado e interdependentes porque o desempenho em um dos fatores pode ter conseqüências no desempenho em outro fator.
Partindo-se deste princípio, é plausível a hipótese de que o desempenho físico, técnico e tático em situação real de competição exerça influência em aspectos psicológicos e seja por eles influenciado. Portanto, o nível de desempenho do atleta, diretamente influenciado por experiências anteriores, motivação, autoconfiança e outros fatores, pode interferir de maneira decisiva nas situações causadoras de stress e na maneira de lidar com este.
O stress, entre os vários aspectos psicológicos existentes na competição infantil é, provavelmente, um dos mais marcantes e talvez a principal justificativa para críticas negativas daqueles que combatem a competição infantil.
Além disso, é um dos fatores citados como decisivos para o bom desempenho e conseqüente sucesso dos atletas. Partindo dessa questão na formação da criança o que se fazer? Obviamente que devido a pressão e as renúncias, que são conseqüências do esporte de rendimento, a criança ou adolescente deve ter um acompanhamento psicológico e ser muito amparado pelos seus responsáveis.
Talvez o fator crucial para determinar a qualidade do desempenho competitivo, independentemente da idade, seja a capacidade de lidar com o stress, e esse muitas vezes é oriundo da má formação e educação proposta nesse ciclo.
De maneira geral, especula-se que a competição e treinamento precoces proporcionam uma melhor capacidade e experiência em lidar com situações de pressão. Neste sentido, existe a hipótese de que as crianças que se destacam estão menos suscetíveis e também conseguem gerenciar melhor as situações causadoras de stress, sendo esta capacidade importante para o seu desempenho. Em contrapartida, existe a possibilidade de expor as crianças a cargas psicológicas excessivas, prejudicando seu processo de formação.
Tendo em vista a importância do tema em questão, tanto para a área do treinamento como da pedagogia do esporte, é necessário verificar se crianças, de diferentes níveis competitivos, vivenciam o esporte de maneira diferenciada e se existem evidências de que esta “pressão” pode ser considerada como uma carga psicológica excessiva que contra indique a participação em competições precoces.
Porém essa carga é inevitável para àqueles que sonham em ingressar em um mercado de trabalho tão competitivo. E de fato a expressão “mercado de trabalho” se enquadra perfeitamente nesse contexto, apesar de estarmos falando de crianças, que muitas vezes não passaram dos dez anos de idade. A pressão começa em casa, quando o pai exige além dos estudos, retorno de resultados dentro das quatro linhas, seja ele na escolinha, no time do colégio ou na base de algum clube.
Dentro de um trabalho pedagógico funcional cujo objetivo é diminuir a carga de pressão, deve se levar em conta que muitas das crianças e adolescentes que hoje praticam futebol tem como objetivo primário o lazer, a diversão, e pais e professores devem sempre ter em mente que o trabalho é de formação envolvendo a conduta pessoal, os valores e também a parte técnica esportiva.
Lembramos também que a Legislação Brasileira permite apenas que um atleta seja alojado após ter completado os quatorze anos de idade. Para muitos clubes, isso é um grande problema, pois tentam detectar “pérolas” mesmo antes dessa idade. Pelo lado do atleta, esse alojamento, sendo ele realizado muitas vezes devido a distância entre o local de “trabalho” e sua residência, pode ter dois lados distintos. Primeiro uma oportunidade da vida, cujo alojamento é muito melhor que as condições que sua família possui, porém em segundo plano existe também o distanciamento da formação familiar, com pouca presença da estrutura dos pais e amigos. Evidentemente o esporte de alto rendimento tem como situação complicadora a renúncia de uma vida “normal”. Treinos todos os dias, jogos aos sábados e domingos, concentrações, pouco tempo para vida social e familiar, são “obstáculos” que um atleta deverá ter em mente desde o princípio da sua escolha.



6.1 - O papel do treinador e professor na sua formação social

Nada mais que normal a responsabilidades dos pais na formação de novos atletas ao futebol. Além deles, obviamente o acompanhamento e orientação dos técnicos de futebol e professores de educação física são primordiais.
Muitos garotos acabam por descobrir a possibilidade de ingressar no esporte após a iniciação no futebol, através de um olheiro, professor ou técnico de uma equipe. O fato é que muitos desses garotos acabam “pisando” em um terreno muito ilusório com pequenas possibilidades de se tornarem profissionais da área. É nesse ponto que a orientação na formação do pequeno atleta tem que ser vista e trabalhada com cuidados especiais. Além da técnica, dos valores que o esporte agrega e a integração social, o garoto deve ter estimulado e acompanhado de perto sobre os estudos. Muitos deixam de estudar acreditando que a integra da prática poderá fortalece-los em relação aos adversários, mas devido a grande concorrência isso é, com certeza, uma das maiores armadilhas na formação do indivíduo.
Os estudos são necessários a todos os Homens, e o atleta cada vez mais é exigido nesse quesito.  Atletas com capacidades intelectuais são cada vez mais valorizados em suas áreas e com certeza, mesmo que não alcancem o objetivo final, que é de tornarem-se jogadores profissionais, terão como base cultural a formação escolar que possibilitará o ingresso em outras áreas acadêmicas e profissionais de necessidade do esporte.
O professor e técnico de futebol, deverão mostrar e cobrar no dia a dia que essa “qualidade” e diferencial, dará respaldo a um futuro do garoto, mostrando que o desenvolvimento intelectual é de necessidade primária. Obviamente que muitos garotos possuem problemas familiares, econômicos e até de “segurança” e esses devem ser detectados para uma maior avaliação de desenvolvimento do garoto. De fato é importantíssima a presença do trabalho do orientador pedagógico, trabalho esse realizado por profissionais da área da educação física.



7 - O mercado esportivo fora das quatro linhas


Copa das Confederações, Copa do Mundo, Olimpíadas e Paraolimpíadas.
Como sabemos, o Brasil receberá nos próximos anos os principais eventos esportivos do mundo, o que significa muitos investimentos financeiros, mas para conseguirmos fazer com que tudo isso ocorra da melhor maneira possível, temos que ter profissionais na área esportiva capacitados para atender as demandas que surgirão para os próximos anos no país.
Estes novos especialistas do esporte devem ter conhecimentos que, além da parte técnica, contemplem também a gestão de pessoas, o planejamento estratégico, os controles internos, as finanças, a contabilidade, as políticas públicas no esporte, as estratégias de marketing esportivo, ou seja, esses profissionais devem estar alinhados a um processo de mudança, tendo em vista que o mercado de trabalho exigirá, cada vez mais, um alto grau de profissionalismo na administração do esporte no Brasil. As oportunidades de trabalho são enormes e crescerão ainda mais de agora em diante.

Afinal, já que temos pela frente grandes eventos esportivos no País, haverá também uma grande necessidade de mão-de-obra qualificada para dar conta de toda essa demanda.
E as oportunidades de trabalho estarão principalmente nas instituições esportivas, como confederações, federações, associações esportivas, clubes sociais e esportivos, nas empresas prestadoras de serviços e produtos esportivos, bem como nas empresas que buscam associar suas prestações de serviços, as suas marcas e produtos ao esporte.

Até 2027, cerca de US$ 51 bilhões serão movimentados no País, em função dos Jogos. E, deste montante, os estudos indicam que 53% circularão no Rio de Janeiro. Este é um cenário de impressionante crescimento, que exige profissionalização contínua, que afeta as entidades públicas e privadas e desempenha um papel importante no crescimento do PIB nacional.

Neste cenário, a especialização de profissionais na área será fundamental. Hoje, instituições de ensino já têm identificado esta necessidade de proporcionar cursos com foco em formar gestores mais aptos a atenderem as diversas necessidades do mercado de trabalho. Não é só em megaeventos esportivos que há necessidade de profissionais capacitados, mas o esporte, de maneira geral, precisa de gestores diferenciados.

”Não se pode perder mais tempo na formação da gestão no esporte. Podemos deparar, num futuro próximo, com um verdadeiro “apagão” de mão-de-obra nesta agora tão estratégica área para o País. Devemos estar atentos às necessidades desafiadoras do mercado do esporte” , disse Ricardo Mathias - gestor da Trevisan Escola de Negócios – unidade Rio de Janeiro.

O esporte cresce a cada dia como fonte de negócios, porém é clara a exigência de profissionalismo para a execução das funções que estão interligadas a ele. Não se pode fechar os olhos para essa necessidade e com certeza os negócios do esporte são portas abertas para novos profissionais. Esses profissionais que poderão ser frutos de um trabalho na formação de base dos clubes de futebol, pois muitos jovens atletas que terão seus sonhos frustrados por não conseguirem um espaço no futebol profissional, através de um acompanhamento dos profissionais da área, poderão vislumbrar um espaço nos negócios do esporte.




Marketing


Publicidade, Licenciamento da Marca, Relacionamento com o público alvo, desenvolvimento de novos projetos, vendas de produtos, novos contratos de patrocínio e desenvolvimento da imagem e marca no meio esportivo e social. Esses são os negócios relacionados ao departamento que cuida da imagem de um clube de futebol.
Há alguns anos, basicamente nenhum clube tinha um departamento de marketing. Em muitos times apenas uma pessoa ou duas faziam o trabalho de marketing. De alguns anos pra cá alguns clubes vêm montando seus departamentos. No Brasil ainda estamos dando os primeiros passos. Ações diferenciadas fora do campo são fundamentais para trazer o torcedor aos estádios, porém é uma das funções do marketing gerar benefícios aos torcedores para que ele se sinta valorizado e possam alavancar as receita de um clube.
Dentro de campo, fazer a equipe gerar bons resultados é função do departamento de futebol. Fora dele, o marketing desenvolve ações que reflitem na questão mercadológica.
Criar novos produtos, relacionamento com o torcedor/consumidor, gerar benefícios ao público e principalmente criar estratégias de relacionamento está totalmente direcionado ao departamento de marketing.
Os profissionais que atuam na equipe de marketing de um clube, devem ser formados na área e ter conhecimentos amplos do esporte, pois o consumidor final é o mesmo apaixonado que está na frente da televisão em dias de jogos ou sentado em algum lugar do estádio de futebol.


Gerência Esportiva


Administração de Empresas, clubes, complexos esportivos e escolas de esportes.

Atualmente quando se fala de gerente de esportes logo se pensa no gerente de futebol, cargo que possui status e poder sobre novas negociações de atletas para um clube.

De fato essa função é a mais cobiçada entre os gerentes de clubes, mas não podemos dizer que o cargo de gerência exista só no futebol profissional.

Os cargos de gerência no futsal, no basquetebol, handebol, gerência administrativa de um departamento de negócios ou central de um clube são fundamentais para o andamento do esporte brasileiro. É necessária a cada dia a formação de novos profissionais nessa área, pois a profissionalização é mais do que obrigação, é uma tendência do esporte mundial. 


Medicina


Medicina aplicada aos esportes, fisiologista, dentista, psicólogo e nutricionista.

O Departamento Médico desempenha um papel fundamental, desde a admissão do atleta em um clube e posteriormente, o trata, principalmente no dia a dia.

O departamento de medicina de um clube é formado pelos médicos, fisioterapeutas, nutricionista, massagistas, e em muitos clubes psicólogos, dentistas e enfermeiros. O coordenador tem como função organizar e dirigir a interação entre todos esses profissionais, objetivando o bem estar do atleta e a cura dos inúmeros problemas existentes.

As relações mais complexas dos membros do departamento são com os demais profissionais da comissão técnica (fisiologista, preparadores físicos treinador e seus auxiliares), com os dirigentes, a mídia e com os torcedores.

O Departamento Médico trabalha nos bastidores do clube, sem muito status, porém é um dos mais importantes dentro do processo de formação, prevenção e tratamento dos atletas, e consequentemente no planejamento de uma equipe de futebol.




Jurídico


Serviços jurídicos a clubes, atletas e empresas com enfoque no esporte.

O departamento jurídico de um clube é muito mais importante do que muitos podem imaginar e do que é exposto na mídia. Pouca informação chega aos amantes do esporte e poucos sabem sobre suas funções. São desenvolvidas por profissionais da área do direito, e geralmente com especialização no direito desportivo.

Todos os contratos de atletas profissionais do esporte passam pelas mãos do departamento jurídico. Cláusulas, multas, rescisões entre outras situações fazem parte desse processo interno.

Todos os patrocinadores e investidores de um clube também são processos oriundos da aprovação e auxílio da parte jurídica. Para haver uma marca estampada na camisa de um clube, há negociações entre o marketing e a empresa, mas sem a aprovação final e elaboração do termo contratual não há negócios.



Imprensa


Trabalhos em mídias (jornais, televisão, revistas e internet), assessoria de imprensa de clubes e assessoria de imprensa a atletas.
A imprensa é um elo de ligação entre o clube e seus torcedores. Sem ela não haveria divulgação, transmissão e relacionamento, mesmo que de forma indireta. Muitos profissionais da área jornalística um dia sonharam em vestir os meiões e as chuteiras, porém por motivos particulares cada um seguiu o mercado da informação.

Os clubes de futebol a cada dia se preocupam cada vez mais na exposição da sua imagem, desenvolvendo trabalhos de comunicação, exposição e marketing. As equipes na área de comunicação nos grandes clubes são profissionais e muitos atletas possuem seus assessores de imprensa particular.

É um ramo cada vez mais cobiçado e de extrema necessidade no esporte. Muitas outras mídias hoje crescem e não podemos deixar de lado as redes sociais, que são meios de comunicação entre os envolvidos com o futebol e seu consumidor.

É notória a necessidade de profissionais qualificados, e quem realmente é um apaixonado pelo esporte poderá focar seus estudos e seu desenvolvimento profissional nessa área.



Agenciamento de atletas


Advogados, devido à natureza da profissão e agentes credenciados pela entidade administrativa do desporto, focando a carreira do atleta.

Com a extinção da Lei do Passe, o qual o atleta tinha seu contrato “preso” junto ao clube, surgiram os agenciadores, conhecidos no mercado como “empresários”.

A Lei Pelé abriu as portas aos atletas para uma maior flexibilidade no mercado de trabalho, porém os jogadores focados no trabalho de campo, sentiram a necessidade de serem auxiliados por terceiros.

Muitas negociações entre atletas e clubes, envolvendo transferências, novos contratos, aumentos de salários, são realizados pelos agentes. De fato é uma nova frente no mercado esportivo e vêm sendo aproveitada principalmente por advogados, pessoas ligadas diretamente aos jogadores e também atletas que já encerraram a carreira.




Técnicos e Educadores Físicos (professores)


Os técnicos de futebol são profissionais, geralmente, oriundos da educação física. Com certeza essa é uma área de grande espaço no mercado.

Eles estão desde as escolinhas de futebol até nas seleções nacionais de cada país. Nomes como Mano Menezes, Luis Felipe Scolari e Murici Ramalho possuem grande visibilidade, mas existe no mercado o profissional sem expressão “midiática” no mercado.
Porém, mesmo sem essa divulgação do seu trabalho, muitos deles estão nas categorias de base dos clubes, nas aulas de educação física e nas escolinhas de futebol. Trabalham muitas vezes como técnicos, auxiliares técnicos ou preparadores físicos. Qual a importância deles? Não há dúvida da importância na formação de um jovem atleta, tanto na parte técnica e física, mas também na psicológica, e essa é oriunda de um acompanhamento e trabalho desses profissionais que estão lado a lado no dia a dia.

A formação de um ser humano está totalmente relacionada à família e seus professores e esses profissionais do esporte possuem em grande parte essa função.

O mercado do esporte cresce muito a cada dia como já podemos notar e profissionais de excelência são extremamente importantes.






8 - Conclusão


O Futebol no Brasil é muito mais que um esporte, é uma paixão imensurada. Não podemos afirmar que cem por cento dos homens são fanáticos e amam algum clube, mas estamos bem próximos disso.
Uma das primeiras providências de um pai ao saber que seu filho é do sexo masculino é logo presenteá-lo com o uniforme do time que ama, praticamente o batizando para o mundo futebolístico.
Partindo desse cenário de paixão, podemos de dizer que de fato, nosso país é conhecido como a Terra do Futebol.
Somos cinco vezes campeões mundiais e uma das maiores forças quando falamos em futebol.
O Brasil por ser um país continental possui milhares de times, vestindo camisas de diversas cores espalhadas pelos diversos estados que possuímos.
As equipes são das mais variadas condições financeiras e também de públicos. Se não todos os Brasileiros amam um clube, ao menos há um carinho por ele.
Muitos meninos crescem com esse cenário em suas vidas e logo de pequenos começam a chutar a primeira bola que ganham.
Daí por diante, jogam bola em casa, na rua, na aula de educação física, nas escolinhas de futebol, nos clubes os quais são sócios e sonham por algum momento em serem jogadores de futebol.
Os primeiros chutes ditam o ritmo da sua paixão pelo esporte e aqueles que conseguem marcar seus primeiros gols na vida, logo nos primeiros jogos, acabam por objetivar o sucesso com a bola nos pés.
Os pais sonham também e muitas vezes tentam buscar nas suas crias os sonhos que não conseguiram realizar.
O futebol com o passar dos anos, além de um esporte de massa, acabou tornando-se um grande negócio. É real a quantidade de dólares que estão envolvidos em todos os processos até a bola rolar entre as quatro linhas.
A fama, o poder, o status e o dinheiro são cobiças naturais do ser humano, se não todos os homens, a grande maioria deseja o sucesso. O futebol pode lhe trazer tudo isso, caso aconteça de ser um dos privilegiados.
Como já dito, para a “bola rolar” é necessário todo um processo de organização e planejamento para que os jogos, ou melhor, os eventos aconteçam. Há diversos profissionais ligados ao esporte e são através deles que o processo acontece.
Para que existam vinte e dois jogadores em campo é necessário que existam contratos de trabalho, pois são profissionais. Para o recebimento do salário ao fim do mês acontecer é preciso que o clube tenha condições financeiras para isso. Os negócios de bastidores são extremamente necessários. Contratos de patrocínio, publicidade, negociações de jogadores, públicos que gerem rendas aos clubes, vendas de produtos, licenciamentos das marcas, novos associados, entre tantas outras situações que o esporte oferece.
É esse o processo estudado. O futebol virou um grande negócio, mas pouco ainda se fala ao público sobre a importância de bons profissionais. Obviamente que a mídia já explicita muitas das situações, mas poucos conseguem absorver, até mesmo por que como torcedor, o que importa mesmo são as taças levantadas por meio dos títulos conquistados.
Porém para que isso ocorra o processo é longo e àqueles que almejam um dia estar no mercado de trabalho esportivo precisam ter um maior conhecimento desse processo.
Ser atleta é o sonho, mas maior ainda é estar em um mercado de trabalho que lhe gere paixão, e o esporte proporciona esse sentimento.
O acompanhamento pedagógico, escolar e acadêmico, é de necessária importância para todos àqueles meninos que poderão ver frustrado o sonho com a bola nos pés, mas que poderão através dos estudos terem o futebol na cabeça e com a “caneta nas mãos”.
Os clubes no Brasil a cada dia necessitarão desenvolver aos seus jovens atletas, o qual lhe gerarão frutos, essa comunicação extra campo para auxiliá-los e não se tornarem “órfãos” do futebol.
A entrada no futebol é muito difícil, sendo um dos mercados de trabalho mais concorridos atualmente.
É claro que outros mercados profissionais são concorridos, mas a preocupação está na raiz, pois muitos dos garotos que sonham em ser jogadores de futebol, hoje colocam como certeza esse objetivo e não possuem informações sobre as dificuldades e acabam por abdicar dos estudos.
Além de bons jogadores, os departamentos de base dos clubes devem formar grandes homens, esses que poderão, até mesmo como atletas profissionais, desenvolverem trabalhos paralelos extras campo, auxiliando na comunicação do clube e no marketing.
A orientação dos meninos é uma necessidade desde a integração no futebol, mostrando sempre que o futebol é muito mais que fazer um gol ou defender um pênalti. O futebol hoje é um grande mercado de trabalho, em diversas áreas, onde poderão ser supridas as vagas com profissionais que tiveram as suas vidas ligadas ao desporto e que tenham conhecimento amplo na prática.
Para que esse processo de informação e orientação aconteça é necessário que todos os departamentos de um clube, todos os profissionais do esporte se integrem e através dessa integração mostrem aos nossos garotos que o futebol além de um sonho difícil de ser alcançado, também poderá ser uma oportunidade de trabalho fora das quatro linhas, desde que paralelamente os jovens atletas não abandonem os estudos e sejam orientados por profissionais das áreas coligadas.
O futebol virou um celeiro de pedras preciosas esportivas, mas não há a menor possibilidade de lapidá-las sem que haja orientação em sua formação esportiva e social.



















Bibliografia







Televisão, os perigos da exposição excessiva
Autora: Telma Bueno, Pedagoga, Jornalista e Revisora do Setor de Educação Cristã da CPAD.




Böhme, M.T.S. O talento esportivo e o processo de treinamento a longo prazo. In: D. De Rose Jr. (ed.) Esporte e atividade física na infância e adolescência: uma abordagem multidisciplinar.
 Porto Alegre: ArtMed, 2002.


De Rose Jr., D. A criança, o jovem e a competição esportiva: considerações gerais. In: D. De Rose Jr. (ed.)
Esporte e atividade física na infância e adolescência: uma abordagem multidisciplinar.
Porto Alegre: ArtMed, 2002.

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